A semana passou rápido demais, faculdade, trabalho, e viagens pra
congressos em vários estados dos pais, estava enlouquecendo já, cuidar de casa,
das meninas, ‘tá puxado’. Hoje sexta-feira, era pra ser um dia de alegria e
paz, mas é um dia daqueles que quem chegar perto morre. Estava até que
tranquila na faculdade assistindo uma aula qualquer que não tava prestando a
mínima atenção, quando meu celular começou a tocar. Sai da sala para
atender.
- Alô?
- Senhora Mary Cunha, por favor?
- Sim é ela, quem gostaria?
- Dona Mary aqui é da escola da Sara Martins Magalhães e da Carolina Teixeira
de Andrade, precisamos que você ou outro responsável venha até a escola, a
coordenadora do Ensino médio quer conversar.
- Certo! Isso seria pra quando?
- O mais rápido possível!
- É tão grave assim? Poderia me adiantar o assunto?
- É sobre as notas delas! Não estão muito legais.
- Certo! Irei hoje pela tarde ai! Obrigada!
‘Jesus me da paciência pra não acabar com a Sara e com a Carol’
Minhas aulas acabaram, almocei e fui direto pro colégio das duas resolver as
coisas logo, lá a conversa com a coordenadora não fui muito legal. Sai de lá
mais estressada do que antes, fui pro trabalho que passou rápido até, teve uma
queda de energia e fui liberada mais cedo, ‘Ao menos isso deu certo no meu
dia’. Cheguei em casa fumando uma quenga.
- Sara Martins Magalhães venha aqui agora! – vi ela saindo do quarto já com os
olhos marejados – Que porra é essa?? – falei jogando uns papeis na mesa e ela
pegou.
- São…são minhas notas? – Ela arregalou os olhos
- Sim são suas notas! Carolina Teixeira de Andrade venha você também aqui! –
Ela saiu do quarto como se nada estivesse acontecendo.
- Que foi Mary?
- O que foi o que foi pergunto eu depois de ver isso daqui! – Joguei o resto
dos papeis que estavam na minha mão na mesa. Ela pegou e ficou pasma eram as
presenças nas aulas.
- Co..mo..vo..cê..Conseguiu isso? – Sara perguntou.
- Como? Simples a secretaria da coordenadora de vocês me ligou e pediu uma
reunião! Simples não? – falei irônica
- Mas…
- Ainda tem mas? Não, não existe mas! É um fato que não tem como voltar atrás,
Sara está reprovada por causa de uma matéria, uma matéria? – falei olhando
incrédula pra ela que já estava com lagrimas nos olhos - E Carol quase fica
reprovada por falta! Agora eu quero saber o porque disso?
- Eu…Eu…Eu…
- Eu eu eu o que Carol?
- Eu não faltei tanto assim! – falou me olhando pasma
- Não? Então olhe as folhas seguintes! – ela folheou os papeis em sua mão – São
Xerox dos diários de alguns dos teus professores, e ai o que me diz??
- Mary eu…
- Eu sei, vai-me dizer que perdeu o horário, que não estava afim de ir pra aula
e blá blá blá, mas eu não tô nem ai pra desculpas, você só faz isso, só estuda,
não trabalha, não faz mais nada, a gente já tinha conversado sobre isso e o que
era o combinado? Não faltar mais, mas o mais interessante que essas faltas são
em que dias? Os que eu estou viajando! Bonito não?
- Mary eu…
- Você está de castigo pro resto do ano, não vai sair, não vai pra show, não
vai pra conto nenhum!
- VOCÊ NÃO É MINHA MÃE PRA ME POR DE CASTIGO E ME PROIBIR DE FAZER AS COISAS! –
falou alterada.
- Não sou sua mãe mesmo, porque se fosse já tinha te dado umas boas de umas
palmadas e você já estava no quart com os coro ardendo! – falei seria – Mas
você está na minha casa, sobre as minhas ordens e quem manda nessa porcaria de
casa sou eu, portanto você está de castigo por tempo indeterminado.
- Mas e o show do Luan? – ela perguntou com os olhos marejados e caindo umas
lagrimas.
- Pensasse nisso antes de faltar tanto.
- Mas eu passei de ano! – ela rebateu.
- Você passou por uma sorte muito da grande! Agora pro teu quarto! – ela saiu
levando o celular – Ei deixa o celular também!
- Oi? Até o celular?
- Sim ande! Me dê aqui! – ela veio deixou o celular e foi pro quarto, Sara me
olhava assustada, com medo, em todo esse tempo que moramos juntas, mesmo que
seja só um ano elas nunca me viram assim então não me espanto pelas suas
reações. – E você? Que porcaria foi essa?
- Mary eu…
- Você o que? Não estudou? Faltou aula também? O que foi?
- Não eu…
- Eu já sei, não precisa falar nada, você brigou com o professor que te
reprovou, só por não gostar dele – ela tentou me interromper – Não me interessa
Sara, você acha que eu gosto de todos os meus professores da faculdade? Que
morro de amores por eles? Que não tenho vontade de arrancar a cabeça deles por
não fazerem as coisas da maneira que quero? Tenho e muita, todo dia por sinal,
mas não é assim que a banda toca. Não é brigando com o professor que se
resolve, mesmo que não goste dele, tem que se segurar pra falar as coisas.
- Mary eu tentei falar com ele sobre a minha nota, mas ele não me deu
ouvidos.
- Uns dos motivos pra não brigar com os professores eles marcam e não tem
volta. Você também está de castigo, sem show, sem sair, e sem celular, vá pro
seu quarto. – falei apontando em direção ao quarto.
- Mas Mary! – falou já chorando.
- Não tem, mas, anda pro seu quarto!
Ela saiu chorando, sei que fui dura e ríspida com as duas, mas se não for assim
vira bagunça e eu não tenho tempo nem paciência pra bagunça. Pra tentar relaxar
coloquei pra tocar o DVD Ao Vivo no Rio do Luan e fui fazer algo pra comer.
Passaram algumas horas e elas vieram pra sala sentaram ao meu lado como faziam
e ficaram quietas.
- Mary… - Sara iniciou.
- Chora! – falei seria.
- Sei que erramos e que você está muito chateada e nervosa também, por conta
das suas coisas, mas quero te pedir não me impede de ver o meu amor, por favor,
pode me proibir depois de sair pro resto do ano, sem celular, internet,
qualquer coisa, menos isso. – fiquei apenas observando.
- Serio Mary, me desculpas por ter falado daquela forma com você, mas fiquei
nervosa pela maneira que você falou comigo, sei que estou errada, mas, por
favor, não deixa a gente aqui sozinha sem poder ver ele, por favor.
Fiquei seria apenas observando a reação das duas, olhando em seus olhos e nos
dois identifiquei medo, remorso pelo ocorrido, e esperança.
- Olha sei que fui dura com vocês, que foi a minha primeira crise de stress,
mas vocês também não colaboram né?! Sei que perder o show seria algo muito ruim
pra vocês e não quero isso. Mas vamos ter que fazer um combinado aqui e que ele
não se quebre. Certo?
- Tá fala!
- Pode falar vamos aceitar tudo!
- Certo vocês nesse ano não vão sair, nem que me peçam de joelhos durante 3
meses, nada de festas, aniversário, saída pra shopping, nada. E vão ter que
ajudar os professores de vocês na escola, exatamente esses que vocês não
gostam.
- Ah não, sem sair tudo bem, mas ajudar os veio?
- Oh o respeito Sara, são esses velhos que passam conhecimento pra ti. E sim
vão ter que ajudar durante esse ano que vai começar, já combinei com a
coordenação tudo.
- Mas eu me dou bem com todos os professores Mary! – Carol rebateu.
- Você vai ficar auxiliando o professor que você teve mais falta. Combinado? –
elas não responderam – Combinado assim? Feito?
- Tá eu aceito! – Carol rendeu.
- Sara?
- Certo Certo não né, mas fazer o que!
- Ok então ficamos assim! Ah e amanha me lembrem de ligar pra Beth e pra Kamis,
faz tempo que não falo com elas. – elas apenas assentiram e deitaram nas minhas
pernas para assistir um filme que passava na TV. Depois desse dia estressante
fomos dormir porque na próxima semana começava a maratona de Shows do Luan.
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