(Narração Beth)
Depois do Show do Luan aqui em Curitiba, meus dias voltaram à monotonia, ficar
em casa o dia todo sem fazer quase nada apenas coçando, limpava a casa para
ajudar minha mãe que não pode fazer tanto esforço, minha irmã enchendo minhas
paciências, porque aquela ali não faz nada da vida e ainda diz que ta cansada e
reclama quando peço algo pra ela e pra finalizar meu pai me enchendo pra que eu
arranje um emprego ao invés de correr atrás dos meus sonhos. Estava feliz por
ter realizado o meu tão sonhado abraço, não cabia dentro de mim. Estava
pensando na vida quando lembrei que não contei a Mary, aquela bicha sem
vergonha anda numa correria que nem tempo de me ligar tem direito.
‘Sai cantando do chuveiro eu sou o cara mais feliz do mundo inteiro’
- Oh celular cadê você meu fi! - falei procurando ele no meio das cobertas -
Achei você seu coiso - peguei o cel e logo atendi - Alô!
- Mana? - ouvi aquela voz e logo reconheci.
- Mary sua coisa! Que saudades!
- Saudades também Mana, como ta as coisas?
- Tá tudo a mesma bosta de sempre! E com vocês? Como ta as coisas com as
meninas?
- Ta tudo indo!
- Ih que foi?
- Sara não passou de ano porque brigou com um professor e Carol quase fica, to
estressada por conta das viagens e da faculdade, e elas não tão colaborando
comigo. - ela disse calma até, achei que ia explodir
- Olha calma, deixa as gurias de matarem, tu não é mãe delas!
- Eu sei, mas me sinto responsável, tu sabe como eu sou!
- Eu sei, mas isso acaba com você e mais daqui uns meses elas ficam de maior ai
quem cuida da vida delas são elas mesmas, tu não vai poder proteger elas
sempre, e também tem que os pais delas não tão nem ligando muito pro que elas
fazem ou deixam de fazer certo?
- Isso é verdade, desde que elas vieram pra cá, nem ligaram pra saber como elas
tão. Mas vou tentar me controlar pra não matar cada uma. - tive que rir ela se
parecia comigo.
- Isso ai deixa elas quebrarem a cara, só assim aprendem alguma coisa.
- Verdade! Mas não liguei só pra isso! - ouvi ela rir baixo - É que eu tenho
uma surpresa pra ti e pra Kamis.
- Conta!
- Não posso!
- Ah vai Mary, tu me ligou, falou que tem surpresa agora conta!
- Não posso já disse! Tem que ser pessoalmente! - falou e eu travei ‘Pera ai,
pessoalmente?’
- Oi?
- É isso mesmo criatura, vou pra Curitiba daqui uma semana pra um congresso com
meu chefe ai eu te falo certinho e a gente combina de se ver, só digo que vocês
vão amar, serio eu to pirando o cabeção aqui, imagina vocês.
- Oia isso é maldade sabia, não se deve fazer isso! Vai me mata de curiosidade.
Não sei se aguento.
- Aguenta sim, se não, não vai aproveitar depois. - falou rindo.
- Oh parou a palha assada ouviu! Vou ter que desligar meu pai ta chamando
aqui!
- Tá né! Beijos se cuida e manda beijo pra tia! - ouvi ela gargalhar.
- Ta certo eu mando! Beijos em todas! Se cuidem e não mate as meninas!
- Pode deixar! Beijos e não mate a sua irmã! - ri dessa ultima frase, ela
conhecia esse meu lado maléfico.
- Beijos!
Desliguei e desci pra vê o que meu pai queria.
- Oi pai!
- Sente aqui precisamos conversar - sentei no sofá e pela cara dela não ia ser
uma conversa tranquila, alias nunca era tranquila. - Quero saber se você vai na
feira do SEBRAE que vai ter essa semana?
- Pai não vou!
- Porque, você tem que arrumar um emprego Elizabeth, para ajudar em casa.
- Pai lá não tem nada que me interesse.
- Você foi essa semana no centro entregar seu currículo?
- Não!
- Olha ai, como você quer arrumar um emprego se nem atrás você vai! Não vai
cair do céu não!
- Olha Pai, eu posso até arrumar um emprego como naquela loja que eu só me
sacrificava e me matava de tanto trabalhar pra ajudar em casa, mas como se
minha mãe não pode fazer muito esforço, se a minha querida Irma não faz nada em
casa e sobra tudo pra mim? - falei irritada e um pouco alto,
- Baixa o tom! Você não ta falando com seus amigos não! Não me interessa o que
eu não queiro é você sem fazer nada em casa. Vá essa semana no SEBRAE e saia de
La empregada me entendeu!
Sai da sala bufando, subi as escada e minha irmã também descia.
- Sai da frente! - empurrei de leve ela que reclamou e desceu pra choramingar
pra minha mãe que eu tinha batido nela. Fiquei no meu quarto o resto do dia
todo, sai só à noite quando todos já estavam dormindo. Preparei um sanduba com
coca-cola, como eu amo ser gorda, ri sozinha do meu pensamento. Comi tudo e fui
dormir, essa semana seria paulera.
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