3 de dezembro de 2015

Capitulo 45

(Narração do Luan)

- Opa desculpa! - bati em alguém na entrada do banheiro que nem se quer olhou pra trás. 
Estava lavando minhas mãos quando ouvi uma gritaria e a voz da Mary ecoou pelo banheiro, sai rápido e a vi pulando em cima de um rapaz e eles caíram com tudo no chão, o casal que nós a pouco tínhamos conversado olharam pra mim assustados, Pedrinho começou a chorar desesperado, as pessoas do restaurante se aglomeravam em volta dela que não parava de socar o rapaz, sendo que o mesmo não fazia absolutamente nada para se defender. 
- Mary! - puxava ela - Mary por favor para com isso?! - ela não soltava por nada. 
- Seu desgraçado quem você pensa que é pra vir me perturbar de novo hein? 
- Amor não faz assim que eu gamo mais! - o rapaz disse rindo 
- Seu cretino, você vai aprender a nunca mais aparecer na minha frente! - ela tirou o salto e foi pra dar nos olhos do rapaz, segurei a mão dela firme. 
- MARY PARA! - ela travou e me olhou, seus olhos transpassavam raiva, ódio, tristeza, dor. - Por favor! - cochichei e ela soltou o sapato, levantou rápido de cima do rapaz e me abraçou forte! 
- Desculpa! - ela cochichava chorando. 
- Ta tudo bem, eu to aqui minha pequena! - apertava ela contra mim. 
- Amorzinho você está bem? Ficar abraçando estranhos é errado! - o rapaz insistia em se dirigir a ela. 
- Metri tira esse homem daqui, ele já fez algazarra demais por hoje! 
- Eu?! hahaha Eu não fiz nada ô cantorzinho de merda! - aquilo me veio como um soco. 
- Pequena desce! - pedi e Mary me soltou, mas ela tomou a minha frente me segurando. 
- Deixa que eu resolvo! - secou as lagrimas, colocou o salto novamente, me deu um beijo e chegou bem perto dele - Eu já te disse Carlos, a gente nunca existiu e nunca vai existir, some da minha vida de uma vez por todas! 
- Você vai trocar uma vida segura ao meu lado, pra ficar com ele? Esse cantorzinho de merda, vesgo que não tem nada a te oferecer a não ser chifres e uma vida falsa? 
- Ele não tem nada a me ofercer? - ela me segurou novemente - Luan não! - pediu e eu voltei, coloquei as minhas mãos na cintura dela como sinal de apoio - E por um acaso você tem? 
- Claro que tenho! Muito amor, uma casa, carro, carinho! Você sabe que eu te amo Maryzinha! - ele foi pra tocar em seu rosto e ela com um tapa rápido tirou a mão dele - Você sabe que isso só me atrai mais, você toda arisca assim! 
- Olha vou te falar pelo ultima vez, SOME DA MINHA VIDA! - apontou o dedo na cara dele - Você nunca vai me ter ao seu lado de novo sabe porque? Porque você não é um homem digno de ter mulher nenhuma ao seu lado, agressivo, possessivo, você acha que com dinheiro me compra? Que casa, carro, prédios empresariais e o caraio a quatro que tu tem vai me fazer ficar com você? Nunca...NUNCA... Entendeu? Quer que eu soletre? N-U-N-C-A eu vou voltar a gostar de ti, agora sai daqui antes que eu parta a tua cara ao meio! - ela fez sinal pros seguranças, que retiraram ele aos solavancos do restaurante. 
- MARY VOCÊ VAI SE ARREPENDER POR ISSO! ESPERA SÓ QUE VOCÊ E ESSE CANTORZINHO VÃO ME PAGAR BEM CARO! - o tal de Carlos gritava da porta do restaurante. 
Ela ainda estava parada na minha frente, estagnada, não se mexia por nada, respiração fraca e curta. 
- Pequena?

(Narração Mary)
- Pequena? - ouvia longe Luan me chamar, meu corpo estava rigido a qualquer movimento. "Como que ele tinha ainda controle sobre as minhas atitudes? Faz tanto tempo, mas mesmo assim ele domina e me atinge de uma forma que eu me transformo". - Mary? - senti Luan me abraçar por trás - Vamos pra casa? - apenas assenti com a cabeça e saímos com ele me carregando praticamente. Fomos o caminho pra casa em silencio total, Luan não fez nenhuma pergunta para a minha alegria, pelo contrario, foi o caminho todo me acariciando e falando que me amava, chegamos em casa e eu subi direto pro quarto dele e me joguei na cama me encolhendo próximo a parede, e ali chorei tudo que tava engasgado, por varias vezes ele me chamou e tentou me tirar da minha bolha, mas nada feito. Depois de um tempo eu adormeci.
- Mary? Pequena? Vamos acordar? - abri os olhos e lá estava ele só de cueca e boné, me olhando preocupado e com uma bandeja na mão. 
- Oi! - respondi com um sorriso seco.
- Ó trouxe uns trem procê come! 
- É...Legal...Mas...Eu...Não to com fome! 
- Ihh procê num ta com fome alguma coisa tem! - ele disse largando a bandeja de lado e sentando na minha frente - Que cê tem? Tem haver com aquele homem ainda né? 
- Já ta aprendendo a me decifrar é? 
- Não - ele sorriu - É por conta da onça que cê virou mesmo! 
- Ver o Carlos novamente não me fez e nem faz bem... 
- Mas o que ele te fez de tão ruim pra você virar uma fera pra cima dele?...Eu...nunca pensei que veria você daquela forma! - ele falou com um medo na voz e isso fez meu coração apertar. 
- Me desculpa tá?! - acariciei a bochecha dele - Eu não sei o que me deu na hora! Só sei que quando me dei conta eu estava em cima dele e você apareceu de volta! 
- Não tem com o que se desculpar, mas me conta o que tão grave ele fez pra acontecer isso?! 
- Nós namoramos durante a minha pré-adolescência e adolescência, no inicio era tudo flores, ele vivia lá em casa e eu na dele, eramos mais amigos do que namorados mesmo. Sendo que conforme fomos crescendo ele foi querendo coisas a mais se você me entende! - ele apenas chacoalhou a cabeça concordando - Ai teve uma vez ... que... - me lembrar disso me machuca demais.
- Ele fez o que? - perguntou ele curioso.
- Ele tentou abusar de mim, foi isso - respirei fundo segurando o choro - de todas as formas que ele poderia ter tentado ele fez a pior, me levou para um passeio na cachoeira na serra, uma coisa que eu amo fazer...Estava indo tudo normal, brincadeiras, um por do sol maravilhoso, jantamos e eu já estava dormindo quando ele fez a primeira tentativa, sendo que recusei, ele ficou bravo dizendo que eu não amava ele, mas me mantive firme, dormi de novo, e ele tentou novamente, sendo que dessa vez ele estava bêbado...eu...eu consegui fugir dele e..e...- comecei a chorar. 
- Pronto, pronto...Xiiiiiuuuu....Não precisa falar mais! - ele me abraçou forte e eu desabei a chorar.

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